Falta de consideração. Individualismo e desinteresse.
Pra quê?
Se ao dar o meu coração
Abri mão disso tudo.
"Do fundo do estômago, o medo sobe até a cabeça estraçalhando cada idéia, impossibilitando um pensamento conexo e ideal..."
terça-feira, 13 de março de 2012
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
Ofertório
Marialva pensava que se casasse com Josinaldo todos aqueles problemas passariam.
Era tudo uma questão de ajuste. Josinaldo acalmaria no trabalho e no boteco e o ciúmes que a consumia partiria.
Na noite da boda, Marialva pura e branca deitou-se na cama de vestido e esperou que Josinaldo chegasse e o arrancasse. Mas o tempo passava e Josinaldo nada que chegava.
Uma hora, duas horas. E nada.
Resolveu voltar pra festa que ainda rolava alto do lado da Igreja.
Assuntou por Josinaldo e nada.
Foi então à sacristia e ninguém estava por lá.
No entanto, do quarto do padre ouvia altos gemidos. Estranhou mas sabia que seu primo, padre Tonho, de santo não tinha nada, mas pra ela aquilo era abuso.
Deu meia volta e resolveu não bolir com o que não era da sua conta. Não é então que ela escuta a voz de Josinaldo gritando de dentro do quarto. E bastante animado.
Marialva que era mulher de paciência grande, mas de pavio curto abriu a porta de porrada e quase morreu do coração.
Na cama Josinaldo de quatro com seu primo Tonho de cachorrinho engatado.
Atordoada e de sangue nas orelhas, fula como só uma mulher traída por dois homens de uma vez só podia estar procurou o que podia pra dar de coça nos dois.
E eis um ofertório de metal maciço aparecia abandonado em cima da penteadeira.
Não pensou duas vezes, ou melhor, foram duas, uma na cabeça de cada cabra engatado.
Morreram na hora, de sanque pra todo lado.Se alguém visse Marialva naqueles tempos jamais imaginaria que aquele toco de mulher pudesse matar dois homenzarrão de uma vez com uma peça tão pesada.
Hoje ninguém explica direito aquilo. Acharam os dois mortos ainda engatados e o ofertório caído sujo de sangue no chão. Um dizem que foi ladrão. Outros dizem que foi um noviço que teria participado da orgia, mas ninguém conseguiu provar nada pois naquela hora o noviço tava jogando pescaria na barraca no meio da festa. Outros dizem que foi justiça de Deus. Mas ninguém sabe que Marialva guarda em casa o vestido branco sujo de sangue até hoje num baú no pé da cama.
Uma coisa ela tava certa, o casamento acalmou ela e Josinaldo.
Era tudo uma questão de ajuste. Josinaldo acalmaria no trabalho e no boteco e o ciúmes que a consumia partiria.
Na noite da boda, Marialva pura e branca deitou-se na cama de vestido e esperou que Josinaldo chegasse e o arrancasse. Mas o tempo passava e Josinaldo nada que chegava.
Uma hora, duas horas. E nada.
Resolveu voltar pra festa que ainda rolava alto do lado da Igreja.
Assuntou por Josinaldo e nada.
Foi então à sacristia e ninguém estava por lá.
No entanto, do quarto do padre ouvia altos gemidos. Estranhou mas sabia que seu primo, padre Tonho, de santo não tinha nada, mas pra ela aquilo era abuso.
Deu meia volta e resolveu não bolir com o que não era da sua conta. Não é então que ela escuta a voz de Josinaldo gritando de dentro do quarto. E bastante animado.
Marialva que era mulher de paciência grande, mas de pavio curto abriu a porta de porrada e quase morreu do coração.
Na cama Josinaldo de quatro com seu primo Tonho de cachorrinho engatado.
Atordoada e de sangue nas orelhas, fula como só uma mulher traída por dois homens de uma vez só podia estar procurou o que podia pra dar de coça nos dois.
E eis um ofertório de metal maciço aparecia abandonado em cima da penteadeira.
Não pensou duas vezes, ou melhor, foram duas, uma na cabeça de cada cabra engatado.
Morreram na hora, de sanque pra todo lado.Se alguém visse Marialva naqueles tempos jamais imaginaria que aquele toco de mulher pudesse matar dois homenzarrão de uma vez com uma peça tão pesada.
Hoje ninguém explica direito aquilo. Acharam os dois mortos ainda engatados e o ofertório caído sujo de sangue no chão. Um dizem que foi ladrão. Outros dizem que foi um noviço que teria participado da orgia, mas ninguém conseguiu provar nada pois naquela hora o noviço tava jogando pescaria na barraca no meio da festa. Outros dizem que foi justiça de Deus. Mas ninguém sabe que Marialva guarda em casa o vestido branco sujo de sangue até hoje num baú no pé da cama.
Uma coisa ela tava certa, o casamento acalmou ela e Josinaldo.
Segunda, 6 de fevereiro de 2012 às 22:25
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
Amor engaiolado
Foram 6 meses de entendimentos e desentendimentos.
Quando o menino percebeu que era louco pela menina fez de tudo. Virou anjo. Virou sabiá. Se engaiolou. Desaprendeu a voar sozinho. Até comer era difícil.
A menina retribuía com uma atenção que ele nunca tinha tido. Uma presença quase constante. Uma dedicação sem igual.
Certo que queria o menino só pra si e cobria a gaiola com um pano de seda rosa e branco quase toda noite.
Ela queria ver o menino cantar mas ao mesmo tempo queria que fosse só pra ela e não pro mundo.
O menino era doente e foi ficando cada vez mais doente.
E a doença parecia confundir a cabeça da menina.
Eles brigavam enquanto amavam.
Ela o queria forte e brilhante e só dela.
Ele estava ficando fraco e cinza e de mais ninguém.
Até que numa noite a gaiola quebrou e quem fugiu foi ela. E ele, o menino, ficou lá sem saber por que e sentindo toda a culpa do mundo.
Só sabia que a amava mais que tudo, que estava doente, cansado e que reagira mais uma vez às atiçadas da menina.
O amor do menino está lá na gaiola no meio dos aros sangrando e vai morrer.
Mas ele vai estar lá por muito tempo.

Quando o menino percebeu que era louco pela menina fez de tudo. Virou anjo. Virou sabiá. Se engaiolou. Desaprendeu a voar sozinho. Até comer era difícil.
A menina retribuía com uma atenção que ele nunca tinha tido. Uma presença quase constante. Uma dedicação sem igual.
Certo que queria o menino só pra si e cobria a gaiola com um pano de seda rosa e branco quase toda noite.
Ela queria ver o menino cantar mas ao mesmo tempo queria que fosse só pra ela e não pro mundo.
O menino era doente e foi ficando cada vez mais doente.
E a doença parecia confundir a cabeça da menina.
Eles brigavam enquanto amavam.
Ela o queria forte e brilhante e só dela.
Ele estava ficando fraco e cinza e de mais ninguém.
Até que numa noite a gaiola quebrou e quem fugiu foi ela. E ele, o menino, ficou lá sem saber por que e sentindo toda a culpa do mundo.
Só sabia que a amava mais que tudo, que estava doente, cansado e que reagira mais uma vez às atiçadas da menina.
O amor do menino está lá na gaiola no meio dos aros sangrando e vai morrer.
Mas ele vai estar lá por muito tempo.

Sexta, 3 de fevereiro de 2012 às 08:03
sábado, 17 de dezembro de 2011
O Belo Rapaz
Veja ilustre passageiro/
Que belo tipo lindo e faceiro/
Tens ao seu lado./
Quase morreu, pobre coitado/
Salvou-lhe Rhum Creosotado."
Quem vê aquele belo moço
Não pensa nada além do que passa na superfície.
Quem vê naquele belo moço viço e força,
Não espera nada além de otimismo e alegria.
Não vêem os que vêem a forma externa,
Que o vicejar desaparece a cada centímetro da pele.
E que no fundo, no fundo
Há algo além da imaginação hamletiniana
Há algo a agradar os Augustos anjos da vida.
Há algo alvarento de tão azedo que está.
Há muito de Alvarento nos campos debaixo da pele.
Quero meu Rhum Creosotado!
Que belo tipo lindo e faceiro/
Tens ao seu lado./
Quase morreu, pobre coitado/
Salvou-lhe Rhum Creosotado."
Quem vê aquele belo moço
Não pensa nada além do que passa na superfície.
Quem vê naquele belo moço viço e força,
Não espera nada além de otimismo e alegria.
Não vêem os que vêem a forma externa,
Que o vicejar desaparece a cada centímetro da pele.
E que no fundo, no fundo
Há algo além da imaginação hamletiniana
Há algo a agradar os Augustos anjos da vida.
Há algo alvarento de tão azedo que está.
Há muito de Alvarento nos campos debaixo da pele.
Quero meu Rhum Creosotado!
Sábado, 17 de dezembro de 2011 às 11:51
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
Dois pesos e duas medidas
Seu B vale sempre mais que meu A.
Seu Ω vale mais que meu A.
Dois pesos,
Duas medidas.
Seu g vale mais que meu Kg.
Seu pence vale mais que minha £ibra.
Dois pesos,
Duas medidas.
Sua hipótese vale mais que minha tese.
Sua inferência vale mais que meu paradigma.
Dois pesos,
Duas medidas.
Seu 1 vale mais que meu 2.
Sua interpretação vale mais que a minha verdade.
Dois pesos,
Duas medidas.
Tudo isso vale por que meu amor, esse sim, deve valer mais que o seu.
Meu peso,
Minha medida.
Seu Ω vale mais que meu A.
Dois pesos,
Duas medidas.
Seu g vale mais que meu Kg.
Seu pence vale mais que minha £ibra.
Dois pesos,
Duas medidas.
Sua hipótese vale mais que minha tese.
Sua inferência vale mais que meu paradigma.
Dois pesos,
Duas medidas.
Seu 1 vale mais que meu 2.
Sua interpretação vale mais que a minha verdade.
Dois pesos,
Duas medidas.
Tudo isso vale por que meu amor, esse sim, deve valer mais que o seu.
Meu peso,
Minha medida.
Quinta, 17 de novembro de 2011 às 07:42
terça-feira, 18 de outubro de 2011
Gestos pequenos, gestos gigantes
Fones de ouvido. Compenetrado. Chegou no guichê para recarregar o cartão do metrô:
"Carrega com 50 reais!"
A moça falou: "Bom dia!"
Ele tirou o fone das orelhas:"O quê????"
Ela respondeu: "Eu disse bom dia!"
Engasgou, sem graça, desajeitado respondeu: "Mil perdões! Estava noutro mundo!" - e com um sorriso tímido - "Bom dia pra você também!"
Trocou-se bilhetes e notas.
Na hora de ir embora, a moça do guichê disse: "Tenha um bom dia!"
E ele, já sorridente e de certo modo feliz retrucou: "Obrigado e um ótimo dia para você!!!"
E partiu rumo a gare com um sorriso aliviado com humores mudados, acalmados.
"Carrega com 50 reais!"
A moça falou: "Bom dia!"
Ele tirou o fone das orelhas:"O quê????"
Ela respondeu: "Eu disse bom dia!"
Engasgou, sem graça, desajeitado respondeu: "Mil perdões! Estava noutro mundo!" - e com um sorriso tímido - "Bom dia pra você também!"
Trocou-se bilhetes e notas.
Na hora de ir embora, a moça do guichê disse: "Tenha um bom dia!"
E ele, já sorridente e de certo modo feliz retrucou: "Obrigado e um ótimo dia para você!!!"
E partiu rumo a gare com um sorriso aliviado com humores mudados, acalmados.
Terça, 18 de outubro de 2011 às 10:18
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
Estudo para um samba
Decida você.
De quem é a contradança.
Você veio ao baile acompanhada mas insiste em me tirar pra dançar.
Decida você.
Pra onde vão seus pés.
Quando quem esquenta eles está do seu lado.
E você insiste em calçar minhas meias.
Decida você.
Pra onde vai esse seu amor.
Que beija outra boca
Mas insiste em ouvir palavras da minha.
Decida você,
Pois eu vou dançar com uma boca que me ame.
E beijar pés que me tirem o sono.
De quem é a contradança.
Você veio ao baile acompanhada mas insiste em me tirar pra dançar.
Decida você.
Pra onde vão seus pés.
Quando quem esquenta eles está do seu lado.
E você insiste em calçar minhas meias.
Decida você.
Pra onde vai esse seu amor.
Que beija outra boca
Mas insiste em ouvir palavras da minha.
Decida você,
Pois eu vou dançar com uma boca que me ame.
E beijar pés que me tirem o sono.
Segunda, 26 de setembro de 2011 às 22:44
sábado, 24 de setembro de 2011
Estacionado
Enfiou a mão no bolso da calça jeans que acabara de tirar do armário. No fundo, em frangalhos, uma bola de papel lavada. Abriu e viu que era o bilhete do estacionamento da última vez que saiu com ela.
A lembrança tomou sua alma e a saudades ocupou o pensamento...
A lembrança tomou sua alma e a saudades ocupou o pensamento...
terça-feira, 20 de setembro de 2011
Sorriso de canto de boca
Gustavo adorava encontrá-la com aquele sorriso. Era um sorriso tímido, quase infantil. O lado esquerdo da boca se levantava enquanto o outro se esforçava pra manter a compostura. A isso somava um olhar pra baixo que não encarava, mas quando encontrava os olhos de Gustavo, era de um brilho molhado que dizia: "Te quero."
Nesses encontros, os beijos, os abraços e os gemidos eram muitos. E pouco importava onde estivessem, numa cama, no sofá da sala, no carro em uma garagem. O que importava é que estivessem.
E nesse instante, os dois eram só amor.
Nesses encontros, os beijos, os abraços e os gemidos eram muitos. E pouco importava onde estivessem, numa cama, no sofá da sala, no carro em uma garagem. O que importava é que estivessem.
E nesse instante, os dois eram só amor.
Terça, 20 de setembro de 2011 às 09:37
Furacão
Ele apareceu como aparecem todos os furacões, em uma conjunção de pressão, temperatura e movimento dos ventos.
Coloquei o nome de Ana Lucia. Nunca entendi por que furacões são batizados, nem como e nem por que usam nome de mulher.
Quis me levar por várias vezes, mas me agarrei a tudo que era sólido e real. Quando eu achava que tinha ido embora, ele reaparecia e quase me levava. Na verdade, eu queria ir, voar, perder-me.
Mas eu sempre o via preso às nuvens e ao solo e dizia: "Não irá me levar a lugar algum a não ser ao meu fim."
Relutei e lutei.
Um dia ele se foi.
Nesse dia a falta das turbulências que ele causava bateu forte.
Nesse dia, aluguei um veleiro e fui procurá-lo. Se o acharei, não sei. Mas cá estou no barco rumo ao nowhere de alhures.
Coloquei o nome de Ana Lucia. Nunca entendi por que furacões são batizados, nem como e nem por que usam nome de mulher.
Quis me levar por várias vezes, mas me agarrei a tudo que era sólido e real. Quando eu achava que tinha ido embora, ele reaparecia e quase me levava. Na verdade, eu queria ir, voar, perder-me.
Mas eu sempre o via preso às nuvens e ao solo e dizia: "Não irá me levar a lugar algum a não ser ao meu fim."
Relutei e lutei.
Um dia ele se foi.
Nesse dia a falta das turbulências que ele causava bateu forte.
Nesse dia, aluguei um veleiro e fui procurá-lo. Se o acharei, não sei. Mas cá estou no barco rumo ao nowhere de alhures.
Terça, 20 de setembro de 2011 às 09:28
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