terça-feira, 1 de abril de 2014

Num bar

barulho, bebida, conversas e histórias
o que realmente queria era não escutar palavra. queria morder lábios a cada uma que a boca vermelha expirava.

barulho, bebidas, conversas e histórias
não conseguia simplesmente olhar, mas só ver como quem famérico roubava um prato de um corpo inteiro.
um vestido, não lembrava a cor, mas cada flor caía bem, preferível se fossem só coladas no corpo nu. no decote alimento da fome de lingeries, peles, sardas, manchas, bicos, bocas e pelos.

barulho, bebidas, conversas e histórias
ainda que muitas palavras, sua mente nos olhos fugitivos. olhar que pedia olhar e queria corpo.

barulho, bebidas, conversas e histórias
querendo escapar daquilo para onde não saber quando.

barulho, bebida, conversa e histórias
na audácia do roubo, um não, que devesse ser jamais.

na rua, no metrô pensamentos
barulhos, bebidas, conversas, cheiros, histórias, desejos
e nada além.



Pleura

A semiplenos pulmões praguejou:

"DEMOPNEUMOMNEMONÍ(A)CA"

do Peso
do Peito
da Peste
roda da lembrança




De 0 a 10

Enovelar-se no amor
Tão pouco tempo criar
       Saudades necessárias
       Fantasias futuras
       Perdências presentes. 

Um beijo a dez é pouco. 
Dez poucos beijos são nada. 

E ver dedujuntinho num clicar de unhas à frentedumsorriso é sonhar. 

Você. 

sexta-feira, 28 de março de 2014

virose

pode 
          nanoscópica estrutura 
          nãoviva (é/será/ounão)
destruir
       carreira
    amor
       sonho
           e paz 
         em um homem. 

quinta-feira, 20 de março de 2014

Mock poetry

Fui fruto do delírio 
Quisera do desejo. 
Saber da flor do lírio
Quem dera um beijo. 

Capricho do tédio
Sempre um ensejo
Saber-se remédio. 
Rimar-se com queijo. 

Da vida pobreza, 
Divididido ao meio.  
Dádiva de princesa. 

Poesia besta,
Emoção que represa 
Que um falso soneto atesta. 

Sem som assinado. 

quarta-feira, 19 de março de 2014

sábado, 15 de março de 2014

Eficiência

Atendia com uma rispidez que conferia a ela uma impressão de eficiência. 
Mas só a ela própria. 
Para os demais, era só mais uma balconista estúpida e grosseira. 

Carícias

A simplicidade dela.
A complexidade dele.
(A)careciam de legendas.

sexta-feira, 14 de março de 2014

Sobre Hilda e o amor...

Ele:
Que lindo...
de chorar...
A Hilda é sublime...
e você, até nisso é perfeita...
em achar pra mim a poesia exata.
mas não para acalmar meu coração...
Mas para lembrá-lo que ainda existe.
até nisso é meu melhor espelho...
e eu te amo por isso.

Ele citando Hilda Hist que ela citou:
<<< Por que recusas amor e permanência?

Ela citando Hilda no poema que citou pra ele:
<<< E com a dádiva nas mãos tu poderias
Compor incendiado a tua canção
E fazer de mim mesma, melodia.

Ele se citando, repetidamente:
<<e eu te amo por isso.

Ele citando o próprio coração:
como eu poderia amar outra senão tu
como poderia sonhar com outra paz senão do teu lado
nos distanciamos para nos encontrar onde as paralelas se curvam
e se, se curvam,
Se curvam para o (nosso?) amor...

quinta-feira, 6 de março de 2014

1

1a palavra não dita
1  telefonema não retornado
1  gesto não feito
1  olhar rejeitado
1a mão negada
1  carinho desprezado
1  momento esquecido
1  beijo não dado

um amor
              perdido