terça-feira, 4 de novembro de 2014

Intolerância

Talvez eu consiga tolerar a estupidez, mas, com certeza, não consigo suportar a ignorância. 

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

À Última Sessão

Espero que com ela
     voltem os amigos. 
     os enjôos terminem. 
     a doença se afaste. 
E, sobretudo,
       esteja curado. 

Amém. 

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Gravidez

Esta noite sonhei-te grávida
Grávida de um amor tão grande que por mais que tentasses, não conseguiria esconder.
Percebi então que o sonho era meu.
Sentei na beirada da cama e chorei.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

A conta do amor

Ah! Vocês versados no amor.
Digam-me, para acalmar minha alma. 
Quantos elogios é preciso fazer a uma mulher para que ela acredite?
Quantas bonitezas apontar sem que ela se enjoe?
Quantas vezes se diz Eu te amo para que ela se convença e abra o coração?

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Passiflora

Uma constelação de flores
Em cada brilho do seu sorriso
Em cada curva do seu corpo,

Arrebatando coração e pensamentos.
Expulsando tristeza e solidão.
Trazendo no ar, sons de amor que nunca ouvi,
Acompanhando como pássaros, beijos em um flor-estrela.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Em um velho casarão na avenida Paulista

ter a responsabilidade de tantas perguntas sem respostas.

procurá-las, 
procura 
e pra curá-las 

se achar (persona) sabedora 
tanto, tanto e tantum
e ser,ao mesmo tempo, 
nada.

necessariamente ser mais
ou ser um to(d/l)o para colher
os pedaços do que chamo 
alma.

(ver a primeira lasca doer de ter nascido
sabendo que a cada minuto 
a pedra da vida nos leva)

odiar ser e ver-se nada 
                             (pára si)
          para os outros.
olhando um deseborrão de carvão preto molhado e escorrido
no espelho d'alma deslavadamente suja

e sonhar, e sonhar e sonha...
em terminar o texto sem sequer pergunta
pois as perguntas não estão nas palavras escritas
mas nas escondidas.

E A RESPOSTA?

essa, talvez, seja A PERGUNTA.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Pesadelo

O que farei 
quando,
no meio da noite,
ele chegar
e não haverá sua mão 
para segurar?

Tique taque

Esquanto esperava ser chamado, Vladimir tentava fazer as contas de quantas vezes já havia passado em hospital nos últimos seis anos. Levando em consideração somente as vezes que tinha ido por razão própria. Visita a amigos e parentes não entrava na conta.

Achou que 372 um número razoável, mas certamente era mais.

No primeiro ano, com os exames, o tratamento e emergências umas 123 vezes. No segundo diminuiu para 80, estava melhor.

No terceiro a recaída,132. Lembrava especialmente desse número pelas anotações no registro do hospital. Depois de tantas idas, havia criado intimidade e saliência com as moças do atendimento e da enfermaria. Até Francisca, a chefe, a chata, a brava, já o tratava com carinho. Ele tinha ajudado a conseguir alguns livros escolares pros filhos dela. Isso lhe garantiu a liberdade de fuçar nos arquivos para fazer o levantamento.

O quarto e o quinto ano foram mais leves, só 80 vezes nos dois anos. Rotina, exames, visitas aos medicos ou alguma terapia. Nessas ocasiões aproveitava para adoçar com bombons as moças que tanto lhe trataram bem.

Mas esse sexto ano havia começado estranho. Muita gente nova, os médicos, os mesmos, mas mais ansiosos. Exames novos, resultados mais rápidos e tratamento mais pesado. No compto já foram 9 vezes. Isso assustava Vladimir.

Uma coisa o acalentava, a presença sorridente da severa Francisca. Quando, depois de quase 8 meses sem aparecer a viu, o rosto negro sorriu os dentes amarelados de tanto fumar. Vladimir sempre brincava que aquilo dava câncer e ela com sua peculiar cara de brava respondia, "Então trabalho no lugar certo".

Abraçou-o como só os grandes de coração e brutos de gestos sabiam abraçar e disse no seu ouvido que tinha rezado muito para não ver vê-lo por ali.

E ali ele estava. Tremendo de medo e cheio de esperança que fossem as últimas.

Ah! Uma outra coisa tão presente quanto Francisca era o relógio na parede cinza que Vladimir olhava entre uma página de livro e outra, esperando passar o tempo ou esperando sua hora chegar. Pelo bem ou pelo mal.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Extremos

O que é essa coisa delicada
Que começa com um choro e termina com um suspiro?
Que no meio tem fome, tem sono, tem dor?
Que nos permite amar, sofrer e odiar?
Que nos faz chorar e rir sem parar?
Que nos traz amigos, irmãos, pai e mãe, filhos e amores?
E que os leva embora
Fugindo, desaparecendo, nos abandonando ou morrendo?

O que é essa linha fina que tem de um lado uma luz imensa
Da outra uma escuridão infinita?
Que nos amedontra, que nos faz sofrer?
Que nos faz gozar e enlouquecer de amor?

O que é que liga o nascimento à morte?

Qual o nome disso que perdemos aos poucos a cada vez que o tempo aumenta?
Ou que perderemos tão rápido quanto umas férias de verão?
E igual a esta deve ter sol, praia, sorvete, areia, água e muita paz.

O nome dela é vida,
e eu tenho muito medo de perdê-la .




terça-feira, 16 de setembro de 2014

Antônimos

Saúde/Doença
Vida/Morte
Alívio/Dor
Alegria/Tristeza


Mas qual é o antônimo da solidão?