Leio no cartaz
SÓ O ORGASMO SALVA
SÓ O ORGASMO
SÓ O
SÓ
O ORIGAMI SELVA
"Do fundo do estômago, o medo sobe até a cabeça estraçalhando cada idéia, impossibilitando um pensamento conexo e ideal..."
segunda-feira, 18 de maio de 2015
sexta-feira, 8 de maio de 2015
A um tio da Itália
"Sabe, como bom bolonhês, amo torres!" falou Renato para o amigo.
Apontando para o céu, ele comenta:
"Cada torre que construo, aponto o dedo para D'us e lembro a ele que existo.
Mas para isso, é preciso um esforço muito grande.
E no final de cada uma, recolher o que restou da autoestima.
Buscar o amor próprio.
E com isso construir novas estupas, minaretes e zigurates.
Assim mostrar que o amor é coisa da força humana. Não da fé. "
Apontando para o céu, ele comenta:
"Cada torre que construo, aponto o dedo para D'us e lembro a ele que existo.
Mas para isso, é preciso um esforço muito grande.
E no final de cada uma, recolher o que restou da autoestima.
Buscar o amor próprio.
E com isso construir novas estupas, minaretes e zigurates.
Assim mostrar que o amor é coisa da força humana. Não da fé. "
quinta-feira, 7 de maio de 2015
O Ano
Um tempo suficiente para se saber e ainda ter sérias dúvidas. Um tempo para conviver e ainda assim não ter uma vida juntos. Um tempo para se achar alguém e ainda se encontrar perdido. Um tempo para amar e ainda não saber-se amado. Um tempo para sonhar e ainda achar-se acordado. Um tempo para gestar e ainda assim abortar. Um tempo para construir e ainda ser demolido. Um tempo suficiente para o luto e ainda assim continuar de preto.
quinta-feira, 23 de abril de 2015
Alcance
Talvez perdida em um devaneio e outro
você leia seus e-mails
e lembre que eu lembro de você.
você leia seus e-mails
e lembre que eu lembro de você.
segunda-feira, 13 de abril de 2015
Passageiro
Passageiro pede informação.
Trocador nem te ligo.
Passageiro pede licença e informação
Trocador e passageiros nem te ligamos.
Passageiro se irrita pelo ponto perdido.
Trocador se liga da cagada e bravateia.
Passageiro sai do ônibus irritado.
Trocador debocha olhando pros outros passageiros esperando aprovação.
Alguns passageiros concordam,
Outros disfarçam,
Ainda outros balançam a cabeça em desaprovação e nada fazem.
E eu, que tomo partido do passageiro perdido, recebo um vai-tomar-no-cu no ouvido.
Trocador nem te ligo.
Passageiro pede licença e informação
Trocador e passageiros nem te ligamos.
Passageiro se irrita pelo ponto perdido.
Trocador se liga da cagada e bravateia.
Passageiro sai do ônibus irritado.
Trocador debocha olhando pros outros passageiros esperando aprovação.
Alguns passageiros concordam,
Outros disfarçam,
Ainda outros balançam a cabeça em desaprovação e nada fazem.
E eu, que tomo partido do passageiro perdido, recebo um vai-tomar-no-cu no ouvido.
terça-feira, 31 de março de 2015
Serviçal
"O senhor está pronto para ouvir a palavra do Senhor."
Mais que agressivamente o senhor com a Bíblia na mão agarrou seu braço e com voz de trovão disse incisivamente:
"O Senhor tem algo a dizer para o senhor."
Sentindo-se agredido e incomodado por tantos senhores, revidou:
"Desculpe-me, mas não sou escravo para ter um senhor. E o senhor, faça o favor de soltar-me o braço."
Talvez assustado com a reação ou incomodado com ela, soltou o braço. Foi então que reparou que os olhos daquele senhor ferviam em raiva. O senhor do Senhor gritou que o Senhor a quem ele servia não era desses senhores de escravos.
Olhou para o senhor com fé, com pena, ao perceber que o Senhor da fé o havia agrilhoado a um livro e jogado em uma prisão de inúmeros dogmas.
Mas a cara de pena só suscitou mais raiva naquele senhor que disse:
"O desdém do senhor, ainda vai levar o senhor pro inferno!!!"
Foi então que de pronto o homem que queria se ver livre de senhores perguntou:
"De qual senhor está falando que vai pro inferno?
"O Senhor?" - apontou para o céu -"O senhor?" - apontou para si próprio - "Ou o senhor?" e apontou para o religioso.
Depois de todos os impropérios que ouviu, o senhor transeunte teve certeza qual dos três senhores iria para companhia do adversário.
Estranhou a interpelação e a interpolação. E por um segundo cogitou responder, mas seguiu em frente esbarrando no senhor que o abordara.
Mais que agressivamente o senhor com a Bíblia na mão agarrou seu braço e com voz de trovão disse incisivamente:
"O Senhor tem algo a dizer para o senhor."
Sentindo-se agredido e incomodado por tantos senhores, revidou:
"Desculpe-me, mas não sou escravo para ter um senhor. E o senhor, faça o favor de soltar-me o braço."
Talvez assustado com a reação ou incomodado com ela, soltou o braço. Foi então que reparou que os olhos daquele senhor ferviam em raiva. O senhor do Senhor gritou que o Senhor a quem ele servia não era desses senhores de escravos.
Olhou para o senhor com fé, com pena, ao perceber que o Senhor da fé o havia agrilhoado a um livro e jogado em uma prisão de inúmeros dogmas.
Mas a cara de pena só suscitou mais raiva naquele senhor que disse:
"O desdém do senhor, ainda vai levar o senhor pro inferno!!!"
Foi então que de pronto o homem que queria se ver livre de senhores perguntou:
"De qual senhor está falando que vai pro inferno?
"O Senhor?" - apontou para o céu -"O senhor?" - apontou para si próprio - "Ou o senhor?" e apontou para o religioso.
Depois de todos os impropérios que ouviu, o senhor transeunte teve certeza qual dos três senhores iria para companhia do adversário.
sábado, 28 de março de 2015
Notre Dame des Piétons
Eis que ele apertou o botão do semáforo de pedestres e o sinal abriu para ele.
Daquele dia em diante sua vida se transformou e passou acreditar em milagres.
Se você passar no cruzamento da brigadeiro com a alameda santos pode ser que o veja em seu ritual diário de acender velas para Nossa Senhora dos Pedestres.
quarta-feira, 25 de março de 2015
Dissimulacros
Não crie o produto,
Crie a necessidade do produto.
Crie a necessidade do produto.
Não crie o risco,
Crie o medo dele.
Não crie o medo,
Crie o medo dele.
Não crie o medo,
Crie a necessidade de se proteger.
Não crie a doença,
Não crie a doença,
Crie os sintomas.
Não crie os sintomas,
Não crie os sintomas,
Crie a necessidade de cura.
Não crie o Estado,
Não crie o Estado,
Crie a ideia de um.
Não crie a felicidade,
Crie a obrigatoriedade de ser feliz.
Depois de criado os simulacros
Não se preocupe com a realidade,
Pois ela já não mais terá a possibilidade de existir.
Não crie a felicidade,
Crie a obrigatoriedade de ser feliz.
Depois de criado os simulacros
Não se preocupe com a realidade,
Pois ela já não mais terá a possibilidade de existir.
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