sábado, 30 de abril de 2016

Evangelho

A minha religião é o universo.
Meu universo são as palavras.
São elas que me guardam.
Mas nenhuma me salvará.

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Delicadezas

Quando seus olhares se cruzaram, ele percebeu algo diferente. Pareciam dois estranhos. Parecia que nunca tinham se visto antes. Por um segundo, um suspiro pareceu tomar conta do seu estômago.
Foi quando o som saiu saiu suave e sibilante por entre os lábios carnudos dela:
"O senhor vai passar a catraca ou vai ficar aí empatando. Tem gente querendo descer, porra!!!"

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Metad.

Escr(ever)
Tu(do)
E
Enteden(derem)
Pe(la)
Meta(de).
É
Ig(ual)
Nã(o)
Escr(ever)
Na(da).

    .(ponto final)

terça-feira, 5 de abril de 2016

Sinuca

Branco, branco, branco, branco.
Vermelho.
Vermelho, vermelho, vermelho, vermelho.
Buraco.

sexta-feira, 25 de março de 2016

Dissimulacros

Não crie o produto,
Crie a necessidade do produto.
Não crie o risco,
Crie o medo dele.
Não crie o medo,
Crie a necessidade de proteger.
Não crie a doença,
Crie os sintomas.
Não crie os sintomas,
Crie a necessidade de cura.
Não crie o Estado,
Crie a ideia de um.
Não crie a felicidade,
Crie a obrigatoriedade de ser feliz.

Depois de criado os simulacros
Não se preocupe com a realidade,
Pois ela já não mais terá a possibilidade de existir.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Piratininga

Não sei se louvo
Ou grito à cidade gris. 

Neurótico,
Esquizofrênico,
Suicida. 
Ser seu filho
É sobreviver aqui.

Cidade Medéia
Cidade Maria
Cidade monstro. 

Sentiu meus passos, 
o primeiro.
E conhecerá o derradeiro.
Sentiu o meu pular e meu claudicar,
na alegria e na doença.
Os joelhos da minha filha engatinhar
E a longitude do meu pai a se deitar uma última vez.

Aparou chutes e joelhos,
Meus ódios, minhas quedas.
Engoliu cada lágrima
De todas as minhas dores.

É daqui que sempre fujo 
Para logo querer voltar.

Ah! Cidade de peixes secos, 
Ah! Villa de Piratininga.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Lazarus tramp

I could not.
I cannot even die,
Know heaven or hell
The priest promised me.

Wake up somewhere or nowhere.
To carry only the skin covering my body
No, I was not allowed.

Doomed to wander the world,
In a body that rejected me.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

sábado, 17 de outubro de 2015

Darkness

Ah! Escuridão imensa advinda da dor que ofusca meus olhos. 
Parte e me dê um sossego. 
Deixa que eu viva!
Deixa a vida inflar meu pulmão. 
E dar vida aonde é mais necessária.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

A casa de Erwin

Moro cá numa casota,
Pequena como uma caixa,
Não há portas ou janela.
O que está dentro
Se está vivo ou morto
Não há como saber.