"Do fundo do estômago, o medo sobe até a cabeça estraçalhando cada idéia, impossibilitando um pensamento conexo e ideal..."
domingo, 4 de novembro de 2012
Pensa
Fraco me dirijo à morte para que ela com seu abraço acalentador leve embora cada dor e cada sinal de cansaço.
terça-feira, 26 de junho de 2012
Coletivo
Antes de dormir
Uma dúvida me assola.
Se de camelo,
Uma multidão é uma cáfila.
De lobo, uma matilha.
Quando os gigantes elefantes
Se agrupam em uma manada.
Por que acho estranho
Não achar coletivo
Para um grupo de musaranho?
Eu devo dizer:
"Observem aquele enxame de musaranhos em nossa direção!!!"
Ou ainda:
"Aquele perigoso cardume de musaranhos merece nossa atenção!!!"
Ou talvez meigamente enternecido olhar para uma turba de musaranhos e dizer:
"Que meigos são os musaranhos!!!"
Uma dúvida me assola.
Se de camelo,
Uma multidão é uma cáfila.
De lobo, uma matilha.
Quando os gigantes elefantes
Se agrupam em uma manada.
Por que acho estranho
Não achar coletivo
Para um grupo de musaranho?
Eu devo dizer:
"Observem aquele enxame de musaranhos em nossa direção!!!"
Ou ainda:
"Aquele perigoso cardume de musaranhos merece nossa atenção!!!"
Ou talvez meigamente enternecido olhar para uma turba de musaranhos e dizer:
"Que meigos são os musaranhos!!!"
Terça, 26 de Junho de 2012 às 01:17
sábado, 5 de maio de 2012
Brilho
Pedro havia decidido que agora só amaria quem tivesse o mesmo brilho que o dele.
Cansado de emprestar sua luz, pois sabia que quem empresta luz ou acaba na sombra ou faz sombra em quem quer iluminar.
Pensou, o amor tem que vir de duas pessoas que brilham com intensidade iguais. Não necessariamente no mesmo momento.
Mas o brilho de Pedro não podia fazer sombra nem se apagar ao lado da próxima mulher que amaria.
Por isso que escolheu ficar solteiro até achar esta luz.
Pelo tempo que for necessário.
Cansado de emprestar sua luz, pois sabia que quem empresta luz ou acaba na sombra ou faz sombra em quem quer iluminar.
Pensou, o amor tem que vir de duas pessoas que brilham com intensidade iguais. Não necessariamente no mesmo momento.
Mas o brilho de Pedro não podia fazer sombra nem se apagar ao lado da próxima mulher que amaria.
Por isso que escolheu ficar solteiro até achar esta luz.
Pelo tempo que for necessário.
Sábado, 5 de maio de 2012 às 03:09
As Três
Como todo personagem grego, fora forçado a encarar as três damas. Podiam ser graças, fúrias ou moiras. Podiam traçar o futuro ou iluminá-lo. Ou ainda estraçalhar o seu corpo em mil.
A cada momento ele teve a impressão de estar na presença de todas essas entidades que mudavam a toda hora.
Uma gritou: "Se seguires este caminho será sua destruição. "
Outra aconselhou: "Não seja sozinho. Não se afaste de quem te ama."
A outra só ouviu.
Em outro momento, a que gritou, chorava a importância dele e o quanto seu fim iria afetar o mundo. A que aconselhou, pediu compaixão e menos raiva. E a que não falava, chorou e deu amor.
Prometeu, confuso, saiu da caverna com a cabeça cheia e confusa, tentando mais sentir do que pensar.
Naquele instante esqueceu o fígado carcomido e teve a certeza de ter um coração completo de amor.
A cada momento ele teve a impressão de estar na presença de todas essas entidades que mudavam a toda hora.
Uma gritou: "Se seguires este caminho será sua destruição. "
Outra aconselhou: "Não seja sozinho. Não se afaste de quem te ama."
A outra só ouviu.
Em outro momento, a que gritou, chorava a importância dele e o quanto seu fim iria afetar o mundo. A que aconselhou, pediu compaixão e menos raiva. E a que não falava, chorou e deu amor.
Prometeu, confuso, saiu da caverna com a cabeça cheia e confusa, tentando mais sentir do que pensar.
Naquele instante esqueceu o fígado carcomido e teve a certeza de ter um coração completo de amor.
Sábado, 5 de maio de 2012 às 03:02
quinta-feira, 26 de abril de 2012
Despedida
Uma lágrima pra cada dedo desentrelaçado.
Um sonho acabado a cada adeus falado.
A dor a cada ângulo que nosso corpo vira.
O desespero a cada centímetro que afastam nossas costas.
Foi assim, segundo a segundo, que nos perdemos para tentar seguir nossos caminhos sozinhos.
Sem promessas de reencontros ou de esbarrões.
Com juras de nunca mais nos vermos
E certezas que no fim doeu pra caramba.
Por isso, rosa, guarda seus espinhos
Já machucaram demais seu nego
Que hoje volta a procurar a alegria
Em lugar algum.
Por isso, rosa, encolhe suas pétalas
Que cariciaram tanto esse nego
Que ele não sabe mais se a felicidade
Consegue ser mais suave.
Um sonho acabado a cada adeus falado.
A dor a cada ângulo que nosso corpo vira.
O desespero a cada centímetro que afastam nossas costas.
Foi assim, segundo a segundo, que nos perdemos para tentar seguir nossos caminhos sozinhos.
Sem promessas de reencontros ou de esbarrões.
Com juras de nunca mais nos vermos
E certezas que no fim doeu pra caramba.
Por isso, rosa, guarda seus espinhos
Já machucaram demais seu nego
Que hoje volta a procurar a alegria
Em lugar algum.
Por isso, rosa, encolhe suas pétalas
Que cariciaram tanto esse nego
Que ele não sabe mais se a felicidade
Consegue ser mais suave.
Quinta, 26 de abril de 2012 às 17:39
segunda-feira, 9 de abril de 2012
Obituário
Deu no jornal:
Faleceu nesta cidade, o ilustríssimo João Ninguém. Ninguém deixa os filhos Maria, Antônio e José. Todos que conheciam Ninguém deixam suas condolências e pesares.
O corpo de Ninguém está sendo velado na capela de Lugar Algum e será enterrado em Qualquer Lugar.
Faleceu nesta cidade, o ilustríssimo João Ninguém. Ninguém deixa os filhos Maria, Antônio e José. Todos que conheciam Ninguém deixam suas condolências e pesares.
O corpo de Ninguém está sendo velado na capela de Lugar Algum e será enterrado em Qualquer Lugar.
Segunda, 9 de abril de 2012 às 21:10
Lápide
Nela se lia:
Aqui descansa meu corpo
Nascido na quarta-feira de cinzas de 1966
E repousou no Corpus-Christi de 203?
Morreu por precisão.
Morreu porque o corpo finda.
Morreu porque a alma tinha hora marcada com o infinito.
Nascido na quarta-feira de cinzas de 1966
E repousou no Corpus-Christi de 203?
Morreu por precisão.
Morreu porque o corpo finda.
Morreu porque a alma tinha hora marcada com o infinito.
Segunda, 9 de abril de 2012 às 21:04
quinta-feira, 29 de março de 2012
Pedra
Não fora apedrejado até a morte como seus irmãos, irmãs e outros parentes. Mas constantemente ao andar pela medina alguém lhe jogava pedras. Algumas acertava-lhe a cabeça e machucava de sair sangue. Outras acertavam-lhe o peito, a barriga e o baixo ventre. Apesar disso se acostumara a guardá-las. Chegava em casa e as colocava num cesto ao lado da cama de palha no chão do quarto.
Naquele dia, cansado dessa rotina deixou as 5 maiores pedras sobre a mesa da sala, escreveu uma carta e a deixou sob as pedras. As lágrimas borraram os traços sobre o papel.
O que estava escrito nunca se soube, nem tampouco o motivou a fazer o que fez a seguir.
O que se encontrou além da carta sobre a mesa foi um banco caído, um lençol amarrado no mastro principal do telhado e preso no seu pescoço. Encontraram uma foto da esposa caída no chão com os vidros quebrados e uma pedra grande ao lado.
Talvez tenha morrido sonhando que ser apedrejado até a morte lhe dava mais honra que estar casado com quem o odiava tanto.
Naquele dia, cansado dessa rotina deixou as 5 maiores pedras sobre a mesa da sala, escreveu uma carta e a deixou sob as pedras. As lágrimas borraram os traços sobre o papel.
O que estava escrito nunca se soube, nem tampouco o motivou a fazer o que fez a seguir.
O que se encontrou além da carta sobre a mesa foi um banco caído, um lençol amarrado no mastro principal do telhado e preso no seu pescoço. Encontraram uma foto da esposa caída no chão com os vidros quebrados e uma pedra grande ao lado.
Talvez tenha morrido sonhando que ser apedrejado até a morte lhe dava mais honra que estar casado com quem o odiava tanto.
29 de março de 2012 às 23:18
quarta-feira, 21 de março de 2012
Ontem recebi uma visita tua,
Ontem recebi uma visita tua,
Vinhas na forma do meu pai. Mas podre e deteriorado. Tuas mãos como raízes entraram nos meus braços, paralisando-os. A dor, pra quem como eu que conheceu várias definições delas, era indescritível.Gelavas minhas veias e o meu coração Enquanto sussurravas que algo grave iria me acontecer. Não sei se era terror ou a sugestão dele,Não despertava do pesadelo horrível,Enquanto a carne podre do meu pai se misturava a minha. A morte estava lá,
Não como sempre esteve, Dessa vez não tinha vindo mostrar-se e levar algo querido.
Ela, acompanhada do seu marido destino, sempre me mostrou horrores,
Que via mesmo não querendo enxergar.Os sons, os cheiros, os gritos. Mas nunca eram meus. Desta vez veio sozinha,E veio para mim,Na forma do cadáver do homem que mais amei. Não sei o que quer. Mas sei que vai voltar. Tenho medo do dia que a carne de um Otavio seja a mesma de outro. E que ela não volte mais.
Vinhas na forma do meu pai. Mas podre e deteriorado. Tuas mãos como raízes entraram nos meus braços, paralisando-os. A dor, pra quem como eu que conheceu várias definições delas, era indescritível.Gelavas minhas veias e o meu coração Enquanto sussurravas que algo grave iria me acontecer. Não sei se era terror ou a sugestão dele,Não despertava do pesadelo horrível,Enquanto a carne podre do meu pai se misturava a minha. A morte estava lá,
Não como sempre esteve, Dessa vez não tinha vindo mostrar-se e levar algo querido.
Ela, acompanhada do seu marido destino, sempre me mostrou horrores,
Que via mesmo não querendo enxergar.Os sons, os cheiros, os gritos. Mas nunca eram meus. Desta vez veio sozinha,E veio para mim,Na forma do cadáver do homem que mais amei. Não sei o que quer. Mas sei que vai voltar. Tenho medo do dia que a carne de um Otavio seja a mesma de outro. E que ela não volte mais.
Quarta, 21 de março de 2012 às 11:56
terça-feira, 13 de março de 2012
Pra quê?
Falta de consideração. Individualismo e desinteresse.
Pra quê?
Se ao dar o meu coração
Abri mão disso tudo.
Pra quê?
Se ao dar o meu coração
Abri mão disso tudo.
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