sexta-feira, 2 de maio de 2014

AC/DC

     Alter(n)ada
           fluíà
       (g/m)ente
continua e quente. 

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Delicadeza

olhar-sorriso
tímido avassalador
brancura da pele contrasta
alça da blusa preta
marcava curvas
salientes na saia vermelha.

brotar desejo de beijos
impar no par de lábios
do sorriso do olhar.

sábado, 26 de abril de 2014

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Geomancia

Desce estelar pelo corpo. 
Uma a uma marca-se um ponto.
De dois em dois pontos traço uma reta
De duas em duas retas, planos de conquista. 
Tesão cartográfico escrito em pele. 

Começa em um sorriso 
Escorregando pelas bochechas 
Do pescoço encontra montes e um vale. 

Para confundir os meandros das suas curvas até se afogarem no sombreado redemoinho do seu sexo.  

Belezura

Era de uma falsa modéstia mastodôntica. Tinha pra si que ninguém era mais tímido que ela. Fechava-se em seu mundo-casa e nele, sozinha, era a melhor. 
Mas um dia abriu as janelas que tantos insistiam em bater. A luz a cegou e doeu na sua alma. Mas aos poucos conseguiu ouvir o que muitos já mostraram. 
Era linda. 

terça-feira, 8 de abril de 2014

Graduação

Que se dê
                grau às coisas,
tudo bem!

Mas que
       não desça 
                    de/graus
                         o nosso amor!!!

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Auto de fé

Em pouco tempo, por paixão ou por carência, permitimos pessoas entrarem na nossa vida. Elas trazem coisa boas e ruins. Você as aceita ou não. 

Amar começa nesse momento. No momento da escolha, além do pesar o bom e o mal. Além do projetar do que pode acontecer com base nas experiências que tivemos. 

É permitir-se sonho, é tentar aceitar o diferente (tão igual da gente) no outro. É querer dividir somando. É buscar a completude nas semelhanças e o adendo nas diferenças. É um exercício de querer e ser querido, de não descartar o ruim do outro e valorar o bom no outro. 

O momento da descoberta do amor é divino e assustador. É assombro e maravilha.  

Este momento sublime e difícil que faz com que tomemos decisões para toda uma vida. 

terça-feira, 1 de abril de 2014

descarte

um dia amor da vida
outro odio mortal

um dia não vive sem o outro
outro não quer te ver nunca mais

somos seres como seringas descartáveis repletos de resquícios de drogas.
usadas, reaproveitadas, até quando menos não convier, lixo... sarjeta.

afastar o bem amado na necessidade (de um ou do outro)
tornam-se fúteis companhias piores que bichons frisés que abanam rabos e dependem da gente pra comer.

amar é não virar as costas nas adversidades
e acompanhar é estar em companhia de...

por isso digo que hoje somos tão dispensáveis quanto o papel higiênico que usamos para limpar o nariz.
e ainda somos cobrados a estar do lado quando precisa...

"Alfredo, cadê o neve?"

E uma hora, Alfredo cansa de ser serviçal  e quererá ser servido.

Num bar

barulho, bebida, conversas e histórias
o que realmente queria era não escutar palavra. queria morder lábios a cada uma que a boca vermelha expirava.

barulho, bebidas, conversas e histórias
não conseguia simplesmente olhar, mas só ver como quem famérico roubava um prato de um corpo inteiro.
um vestido, não lembrava a cor, mas cada flor caía bem, preferível se fossem só coladas no corpo nu. no decote alimento da fome de lingeries, peles, sardas, manchas, bicos, bocas e pelos.

barulho, bebidas, conversas e histórias
ainda que muitas palavras, sua mente nos olhos fugitivos. olhar que pedia olhar e queria corpo.

barulho, bebidas, conversas e histórias
querendo escapar daquilo para onde não saber quando.

barulho, bebida, conversa e histórias
na audácia do roubo, um não, que devesse ser jamais.

na rua, no metrô pensamentos
barulhos, bebidas, conversas, cheiros, histórias, desejos
e nada além.



Pleura

A semiplenos pulmões praguejou:

"DEMOPNEUMOMNEMONÍ(A)CA"

do Peso
do Peito
da Peste
roda da lembrança