Ele gostava de curvas,
Ela das linhas retas.
Ele biólogo,
Ela artista.
Ele orgânico,
Ela concreta.
E entre paralelas se encontraram em um momento do caos
Em um ponto quebrado de uma fractal multifacetada.
"Do fundo do estômago, o medo sobe até a cabeça estraçalhando cada idéia, impossibilitando um pensamento conexo e ideal..."
sábado, 15 de agosto de 2015
Vá pentear macacos!!!
Se você confunde elogio com galanteio, voce não vale nem um dos dois.
Se você confunde atenção com assédio, você é muito pretencioso.
Se você confunde favor com obrigação.
Vá pentear macacos!!!
domingo, 9 de agosto de 2015
Não sentido familiar pelo WhatsApp
"Vou chegar mais cedo no metrô."
"Se eu pegar o metrô certo eu estarei lá em 30 min. Quase pego o metrô errado. Pode?"
"Pode. Eu deixo."
":-)"
"Estou dando uma geralzinha no carro. Abastecer calibrar, água e talvez até ducha."
"Eu já tomei água e ducha.
Obrigado.
Preciso é me abastecer. Não tomei café. Hehehe"
"Tá faltando calibrar e abastecer.
:-P"
"Descalibrado sou. Tem jeito não."
"Somos 2.
Fomos 5.
Agora somos mais d 7 bilhões"
"Seremos sempre 8."
"9's fora nada."
"Quem dera eu fosse um peixe..."
"Para borbulhar..."
"Tomei luftal."
"E eu enfezada...."
Dia do pai
A noite não queria que eu dormisse, só consegui pegar no sono eram quase três horas da manhã. Não sem antes de colocar o despertador para às nove horas para ver se conseguia dormir um pouco mais.
De repente acordo, o telefone tocando às 7 e pouco, apreensivo, assustado, mas era uma querida amiga, sabendo-me madrugador como ela, ligando para me desejar feliz dias dos pais. Falo com a língua enrolada que estava dormindo, ela se desculpa e pede para eu voltar para os braços de Morfeu.
Uma vez acordado raramente volto a dormir e é nessas horas que o caldeirão do diabo chamado mente humana funciona a mil. Penso de como havia me desligado completamente da data. Penso de como é uma data estúpida que comparada comercialmente com os dias das mães é nada. Penso, penso, penso e começo a chorar. Afinal por mais idiota que seja a data nada tinha a celebrar, afinal os motivos para tal festa estavam inalcançáveis: o pai por conta do destino e a filha pela distância.
Daí, como homem não chora, engulo as lágrimas e penso que mais estúpido que a data, era eu chorar por ela. Não pela comercialidade dela, mas pelo fato de que não haver motivo para tristeza.
Tive um pai que no contabilidade geral do nosso pouco tempo juntos, foi uma das melhores pessoas do mundo. De quem herdei pêlos ruivos no corpo e generosidade , senso de justiça, curiosidade e criatividade em tamanho família. Um pai de quem me orgulho e muito.
Da filha, o que falar dela? Que ela é meu raio de Sol? Que é ela com seu carinho e existência justifica a minha existência como pai? Que ela com a sua pré-adolescência já coloca o pai de orelha em pé? Que com seu gosto pela música e dança sempre fez sonhar me um pai de uma estrela? Que ela me faz ter orgulho e vaidade pela beleza e inteligência que possui?
Bom, conclui que, no final das contas, não era um mal dia. Sorri. Agradeci mentalmente a amiga que me despertou e acordei de vez.
Obrigado, senhor Otavio Luiz Venturoli, meu pai.
Obrigado, Clara Sanson, minha filha.
Por existirem e darem um motivo para comemorar esta data.
Amo muito vocês.
quinta-feira, 6 de agosto de 2015
terça-feira, 4 de agosto de 2015
Bondade
Ser bom na vida é sobretudo facilitar a vida das pessoas, independente de quem seja, amigo ou inimigo.
Os amigos para que cresçam e os inimigos para que partam.
Sejamos os abridores de caminhos dos outros, que talvez assim nossos caminhos se abram.
sábado, 1 de agosto de 2015
Setenta e nove
Falta-me menos de um ano para meio século. A ti faltaria um ano para os oitenta. Não sei quais palavras lhe diria. Nem sei se ainda conversaríamos, pois somos muito parecidos. Eu hoje, você ontem. E que as parecenças mais afastam que atraem, dizem por aí.
Não sei se poderia imaginar um diálogo com você, mas por aqui, na escrita, podemos tudo.
"Oi, filhão!"
"Oi, paizão. O que conta? Tem conseguido descansar?"
"É, estão sendo bom comigo! Mas sinto falta de vocês."
"Nós nunca te esquecemos. Como poderia ser se até seus netos são parecidos com você?"
"Tenho visto. O Thiago tá enorme. E o Rafa parece muito a mãe deles.
E a Tata? Ela me parece muito cansada. Fale pra ela que mandei descansar, se não volto pra puxar o pé dela."
"Hahaha, você sempre ameaçou fazer isso. Nunca fez. Por mais que a gente esperasse."
"É que pras bandas de cá não tem disso. É tudo história pra assustar crianças."
"Ou deixar adultos esperançosos..."
"E a Nanda? Pelo que sempre vejo, aquela pequena não para."
"Poxa, todos nós herdamos pelo menos alguma coisa de você."
"Realmente, suas orelhas e nariz são iguaizinhos aos meus"
Torço o nariz e lhe dou um soco no ombro.
"É bom saber que você não perdeu o humor, pai. Tem aprontado muito por lá? Já pôs curto circuito em tudo por lá?"
"De vez em quando roubo as chaves de Pedro e escondo. Ele fica louco. Mas sempre acha.
E você, filho? Sempre me preocupei com você. Achei maravilhoso quando entrou pra trabalhar com livros. Era de fato o seu mundo. Mas a vida não tem sido boa para você, não é?!?"
"Um probleminha aqui, outro acolá, mas nada para se preocupar."
"Olha, sempre tive dificuldade de conversar com você abertamente, mas não menospreze a minha inteligência. Eu observo. Eu sei."
"Deixa isso pra lá, você nunca me disse também que seria fácil, embora tenha tentado muito me poupar."
"Mas filhão, você tem que se olhar mais, cuidar mais de você. Não deixe que te atinjam como me atingiram. Afinal você tem que cuidar daquela menina linda que você me deu como neta. Como ela tá linda!!! É, filho, sinto lhe informar, mas você se fudeu. Vai dar trabalho."
"Já dá, mesmo estando longe. Ela iria adorar você. E você iria precisar de mais energia do que teve com a gente. Sabe, pai, ela é feliz. Da maneira dela, mas muito feliz e alegre."
"Eu sei, eu vejo. Ela é uma luz, e junto com os ruivos, tem o poder de tirar essa dor de dentro de vocês."
Sorrio por entre as lágrimas.
"Bom, tenho que voltar. Estão me chamando e eu tenho um compromisso."
"Mas não vai perguntar da mamãe? Não que saber dela?"
"O que você acha que é esse compromisso? Tenho que me preparar, estar perfumado e elegante pra quando aquela morena chegar. Dela sei mais que você."
Então me aperta os ombros com suas mãos gigantescas e diz olhando nos meus olhos:
"Otavio, se permita ser feliz. Você não teve culpa de nada e está há muito tempo tentando se redimir. Fale isso pras suas irmãs também. Estou bem."
E me beijou como só um pai sabe beijar um filho.
"Te amo, pai."
"Eu também, filhote. Até!"
sexta-feira, 31 de julho de 2015
Verde
Sabe, moço, o que é esperança?
É um bichinho verde, que vive avoando por aí.
Mas sabe porque chama esperança?
É porque dizem que verde é a cor da esperança.
E sabe porque verde é a cor da esperança?
É porque é a cor dos olhos de todos os homens.
Mas por que seria a cor dos olhos de todos os homens?
Magina que um dia o mundo nunca que foi assim cinza desse jeito que é por essas cidadonas aí afora. Os homens viviam nas floresta, nas mata, De caçar e pescar. De comer da raiz e da fruta. Qual é a cor que ele mais via? Diga lá? Sei, sei, é claro que era o verde. O verde dava vida pros nossos pais e isso fazia feliz a vida deles. Em paz, sem carecer de brigar.
Bote reparo.de como tudo para quando está diante de um verde muito forte. E, além do mais, aprendemos nas escola que é no verde que começa a vida. Bom, sei lá, nunca fui muito de estudar. Mas só sei o que me foi contado pelo meu pai que ouviu do meu avô que era um homem que viveu a vida inteirinha no mato e aprendeu coisas que o homem não sabe.
Por isso recomendo ao sinhô, que uma vezinha por semana, coloque um lenço verde no bolso, no pescoço, no chapéu. Vista seu peito com a sua camisa verde mais linda. Ela pode não resolver os problemas trás dentro do corpo, mas vai com toda certeza que os céus podem garantir, lhe trazer paz e esperança.
Pode confiá nesse homem véio que já viu de todo tipo de cor e que procura nas paredes cinzas dessa cidade pintá-la de verde.
É um bichinho verde, que vive avoando por aí.
Mas sabe porque chama esperança?
É porque dizem que verde é a cor da esperança.
E sabe porque verde é a cor da esperança?
É porque é a cor dos olhos de todos os homens.
Mas por que seria a cor dos olhos de todos os homens?
Magina que um dia o mundo nunca que foi assim cinza desse jeito que é por essas cidadonas aí afora. Os homens viviam nas floresta, nas mata, De caçar e pescar. De comer da raiz e da fruta. Qual é a cor que ele mais via? Diga lá? Sei, sei, é claro que era o verde. O verde dava vida pros nossos pais e isso fazia feliz a vida deles. Em paz, sem carecer de brigar.
Bote reparo.de como tudo para quando está diante de um verde muito forte. E, além do mais, aprendemos nas escola que é no verde que começa a vida. Bom, sei lá, nunca fui muito de estudar. Mas só sei o que me foi contado pelo meu pai que ouviu do meu avô que era um homem que viveu a vida inteirinha no mato e aprendeu coisas que o homem não sabe.
Por isso recomendo ao sinhô, que uma vezinha por semana, coloque um lenço verde no bolso, no pescoço, no chapéu. Vista seu peito com a sua camisa verde mais linda. Ela pode não resolver os problemas trás dentro do corpo, mas vai com toda certeza que os céus podem garantir, lhe trazer paz e esperança.
Pode confiá nesse homem véio que já viu de todo tipo de cor e que procura nas paredes cinzas dessa cidade pintá-la de verde.
Doida escovada
"Eu te conheço?
Eu te conheço?
Que intimidade é essa aí?
Eu te conheço?"
Grita na rua
A doida semi-nua.
Talvez fosse mera loucura
Ou os efeitos da lua.
Não, não lhe conheço
E nem lhe tenho intimidade.
Também não tenho o que mereço,
Além de muita idade.
E urra a mulher ainda:
"Eu te conheço?
Eu te conheço?
Que intimidade é essa aí?
Eu te conheço?"
quinta-feira, 30 de julho de 2015
Rude, o cão
Acabo de ter agora uma das experiências mais estranhas da minha vida. E olha que de estranhezas eu entendo.
Voltando de uma ida ao banco, encontro um amigo velho que não via há tempos, passeando com seu cachorro, um labrador lindo. Nos cumprimentamos. Mas no momento que me aproximei, o cachorro desatou a latir para mim. Um latir tão alto e descontrolado que deixou meu amigo assustado a ponto de querer ir embora. Nos despedimos a distância prometendo nos falar pelas redes da vida.
Quando começou a partir, o cão empacou, olhava para mim e latia, latia querendo vir na minha direção. Não parecia bravo. Parecia que queria algo de mim.
Falei pro meu amigo para voltar com o bicho, sentei na calçada, e olhei nos seus olhos.
Nesse momento ele parou de latir e chegou mais perto. Passei minha mão atrás da sua orelha e acarinhei. Nesse instante começou a ganir empurrando minha mão. Estava estranho e, num momento de distração, puxou a guia e pulou em mim e começou a me lamber. Nunca o tinha visto na vida, mas parecia saudoso, triste como não quisesse me deixar ir. Lambeu-me o rosto todo (odeio quando cachorro faz isso) e colocou a pata na minha cara como querendo me consolar, brincar. Foi então que eu percebi o que estava acontecendo.
Já havia lido artigos científicos que diziam que certos cães percebem variações nas proteínas exaladas pelo odor. Então entendi que Rude, o labrador, havia visto em mim. O que nenhum artigo mencionava era a imediata percepção da doença e a empatia do animal.
Desatei a chorar, mais que criança, e mais lambidas e mais ganidos. E meu amigo ali sem entender nada. Foram minutos de choros, ganidos e lambança. Sentamos na escadaria da porta do meu prédio e contei o que se passava. Expliquei o motivo da bengala e porque não ia incomoda-lo com as minhas agruras. Mais um tanto de choro e abraços caninos e humanos.
Nos despedimos prometendo nos ver semana que vem, eu, Flavio e Rude. Um tchau triste e solidário nos separou.
Foi um jorro de carinho ao qual não estava preparado. Foi bom, mas doeu. Em menos de uma hora recebi de um animal mais carinho e consideração que de pessoas que conheço todo uma vida ou que tive intimidade.
Obrigado, Rude, por ser mais que humano.
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