quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Zygmunt

Como entrou.
Saiu.
Talvez porque fosse
                                    líquido.

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Signo do meu abdômen

Quando chegou
Eu dormia.
Veio agudo
Mostrou-se crônico.

Monstruosa e inimiga dor.
Atacou no fígado.

Tentei
       sair da cama
       não chorar.
Gritei
          (para ninguém escutar).
Não havia
          pai
          mãe
          filha
Ou qualquer fantasma sagrado.

Hoje tenho em mim
A noção do solitário
Tão única como uma impressão digital:
O caminho da morte de cada um.

sábado, 24 de setembro de 2016

Machadiando

Embora ambos adorassem Machado de Assis, a única coisa pela qual brigavam era sobre Capitu. Eurico achava-a inocente e Rosalinda não.
Um dia Eurico partiu com Eulália, prima basílica de Rosalinda e a solitária doou todos os livros de Eurico para uma biblioteca.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

domingo, 11 de setembro de 2016

Memórias ininterruptíveis

Uma sensação de que um navio cargueiro trazendo containers de todas as minhas lembranças atropelou meu escaler perdido nas águas tépidas das minhas emoções.

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Ornitologia

O que é a desesperança?
É um monstro gigante, cor de carne ralada no asfalto.

E por que tem esse nome?
É quando mais nada nos resta só o desespero e ânsia. Desespero de sobreviver e ânsia de permanecer vivo depois de todas as desgraças.

E por que o vermelho?
É porque é a cor do sangue que corre dos olhos das pessoas que ousaram sonhar e perderam.

Imagina que um dia, lá quando éramos pequenos, os sonhos era tudo coloridos e brilhantes quem nem as asas de um beija-flor. Voavam rápido, De flor em flor. Polinizando e levando vida.

Mas sempre chegam os homens grandes e pisam em cada um deles. Caminhando por um rio onde o brilhante das asas se misturam com o vermelho do seu sangue. 

Homens que de dia andam por aí como gente comuns. E na noite saem escondidos na escuridão, alimentando os pesadelos, escuros como as asas de um urubu. Com sede de sangue e de esperança.

Nós, os idiotas, queremos viver de sonhos, mas apodrecemos nos pesadelos. Os gigantes chegam e matam cada um dos passarinhos para dar de comer aos infernais abutres.

Falo de vida, da vida real. Viver é o eterno passear sobre os cadáveres dos nossos beija-flores

 A cada sonho que se cria, a cada esperança que forma sempre tem um urubu de perto. E de nada adiantará que o beija-flor seja grande, afinal beija-flor grande não voa. Mas os urubus, enormes e portentosos, voam alto por horas. Tal como o desespero. Espreitando os sonhos de cada um.

Por isso, caro leitor. Recomendo-lhe a não sonhar. Sonhar coisas melhores. Toda conciliação será quebrada, Todo desejo será desprezado. Toda proatividade será castigada. Todos os sonhos são devorados. É assim que a vida decorre. É assim que ela escorrem em direção à morte.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Sentimento

Cada dia que passa me convenço de que amor é ação e movimento, não emoção e sentimento.

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Meu país

E depois de
                      tudo
                 perdido
              quebrado
             esquecido
                  fendido
                    fodido
Restou o
                     medo.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Pai Tempo

Você tinha 30 no meu 0. Nos meus 30, fazia 3 que você não estava.
E no mesmo ano do meu 50 faria 80.
Daqui a 7 serei 57,  o mesmo que tinha quando partiu.
E serão 30 sem você, ironicamente o mesmo seu tempo do meu 0.